pedra-amor

Hoje o dia é azul e a tarde fria. Mas eu sofro.

Eu sofro de sinusite, enxaqueca, coriza e amor.

Sofro de um amor que de tão grande no peito, não deixa entrar mais nada… Nem ódio, nem

escárnio, nem maldições. Meio besta, esse amor, que perdoou todas as feridas mais profundas,

de tão egoísta, não permitiu que o desamor habitasse nem um centímetro desse peito aqui.

Esse amor teve um só fruto, que permanece bruto por falta de espaço pra morrer ou florescer.

Ah, empático amor! Enterrado sob os tecidos fibrosos desse coração, sei que você um dia

pulsou. Hoje já não pulsa, mas as pétalas secas daquele buquê me lembram que você está aí.

Os vermes não te decomporão, pois a dureza da prata não se finda. Descansa, minha pedra-

amor.

Aos apaixonados

A nós, queridos apaixonados, desejo.

Desejo que não sejam arrancadas as esperanças quando o encanto acabar, que não nos culpemos pela energia e nem pelo tempo que gastamos. Que quando os olhos pararem de brilhar, as lágrimas venham livres pra não deixá-los secar. Que ao final de cada paixão, tenhamos tempo hábil pra arrumar a bagunça e preparar-nos para a próxima. Que não tenhamos medo quando os primeiros gelos na barriga e os frenesi chegarem. Desejo a nós que banquemos cada ventania com toda nossa garra e propósito, pra que a calmaria jamais se transforme em tédio. Que nos permitamos as experimentações todas, mas que nos perdoemos pelo dedo podre. Que tenhamos pensamento crítico pra produzir algo do que não pode virar cinzas. E, principalmente, que não percamos a capacidade de nos apaixonar jamais. Perdidamente, loucamente, estonteantemente, e pra sempre.