pedra-amor

Hoje o dia é azul e a tarde fria. Mas eu sofro.

Eu sofro de sinusite, enxaqueca, coriza e amor.

Sofro de um amor que de tão grande no peito, não deixa entrar mais nada… Nem ódio, nem

escárnio, nem maldições. Meio besta, esse amor, que perdoou todas as feridas mais profundas,

de tão egoísta, não permitiu que o desamor habitasse nem um centímetro desse peito aqui.

Esse amor teve um só fruto, que permanece bruto por falta de espaço pra morrer ou florescer.

Ah, empático amor! Enterrado sob os tecidos fibrosos desse coração, sei que você um dia

pulsou. Hoje já não pulsa, mas as pétalas secas daquele buquê me lembram que você está aí.

Os vermes não te decomporão, pois a dureza da prata não se finda. Descansa, minha pedra-

amor.

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